Hoje aconteceu algo bastante diferente comigo.
Que nunca imaginava que aconteceria, que jamais esperaria
uma conduta tão diferente de professor-escola...
Em aula de história, meu professor retomava o assunto sobre
o imperialismo, e eu pedi que ele explicasse porque era muito
importante para mim 'pois é minha matéria específica'.
A resposta dele foi, por que não dizer, grosseira. Simplesmente disse
que 'se eu mudei para a noite achando que teria a mesma matéria
e me preparando para o vestibular, eu estava muito errado'; 'essa não
era a política da escola. Lá ,na proposta do ensino para o noturno, mostra
que não somos focados para uma aula tão específica'.
Eu fiquei REALMENTE muito sem graça. Muito ofendido.
Depois me perguntou 'o que eu achava disso' e para dizer ao resto da sala.
Claro que não quis falar.
Sou eu quem devo questionar primeiro ou ele que vê/viu isso quando
viu a proposta da escola? Há algum problema em romper fronteiras? Os
alunos do noturno não têm capacidade de aprender algo 'tão específico'?
Mas fiquei muito mais impressionado porque ele é um professor bastante
crítico. Ele tinha conteúdo a relacionar com história, não deixava e nem deixa,
nós ficarmos somente no que a história diz.
E a que custo eu vou ter que sofrer com isso? Eu fico sem ter aquela aula 'espetacular'?
Agora questiono sobre a mentalidade em que, no caso, a minha escola está sustentando-se.
Como a Simone faz referência no texto dela, eu ainda não consigo entender por quê se mantém
essa estrutura burocrática.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
noites entre dias
Se na semana passada saí da sala com a sensação de mais atrapalhar o ritmo escolar do que contribuir para a educação e aprendizagem dos alunos, hoje tudo coube nas tão rápidas aulas de inglês das turmas de primeiro col. De algum modo a designação -H- diante de uma turma mostra quantas turmas a separam da turma -A-. Essa distância, no final das contas, é desimportante, porque não houve dia igual a outro nesse tempo de nossas inserções no colégio...
Parece que os alunos começam a se acostumar com nossa presença lá. Hoje eles chegavam e ao invés de irem se sentar, vinham primeiro nos cumprimentar: Hi teacher! Bom dia, teacher! Bom dia, professora. Adoro estar com eles, por mais que nossos progressos pareçam pequenos. Hoje nas duas turmas consegui ensinar os alunos a expressarem e entenderem ações que aconteceram no passado. As perguntas tangiam sua realidade, suas possibilidades. Eles davam suas próprias respostas, várias delas nada livrescas. Fico feliz com isso. A turma que não rendera nada na aula passada hoje rendeu consideravelmente. O Cristiano Ronaldo (eu o chamo de Cris) parecia bem mais calmo e cooperativo.
Na quinta há prova de inglês -- é a prova do calendário escolar que a professora-regente tem de cumprir, não ousa não fazê-lo e eu penso que seria um atrevimento questionar a necessidade de cumpri-lo. Interesso-me pela aprendizagem e pelo envolvimento dos alunos. Hoje, enquanto passávamos aquela lista de verbos, alguns alunos liam com desdém, com deboche. Outros liam bem. Eu insisti na boa pronúncia por parte deles e eles viam que eu olhava para eles enquanto pronunciávemos a lista em voz alta. Parece que o olho-no-olho com cada aluno faz com que ele perceba que me importo com a aprendizagem deles, de cada um. Por isso, a tendência foi a de capricharem mais e mais a cada verbo pronunciado... Parece uma tolice, mas é língua inglesa tomando espaços da sala de aula.
Quando respondiam às perguntas, geralmente utilizavam o tempo verbal incorreto para expressar o passado. Assim, a lista dos verbos ajudou muito, foi didática, porque eu mostrava toda vez de onde vinha a forma verbal para expressar o passado.
Disse aos alunos que eles podem usar a lista no dia da prova, pois o que importa não é a decoreba imediata. É preciso que saibam como a língua funciona, que tenham esse domínio de conhecimento, e que usem a língua. Penso que estou e estamos lá para ajudar os alunos a se expressarem em inglês e não para cobrar um conhecimento que até hoje não foi exigido em situações de uso da linguagem. Dar nota é de menor importância, assim como fazer prova. Avaliamos nossas ações, nossos frangos, bolas-na-trave e gols no dia-a-dia.
Preciso começar a preparar a prova dos alunos para quinta. bjs.
Parece que os alunos começam a se acostumar com nossa presença lá. Hoje eles chegavam e ao invés de irem se sentar, vinham primeiro nos cumprimentar: Hi teacher! Bom dia, teacher! Bom dia, professora. Adoro estar com eles, por mais que nossos progressos pareçam pequenos. Hoje nas duas turmas consegui ensinar os alunos a expressarem e entenderem ações que aconteceram no passado. As perguntas tangiam sua realidade, suas possibilidades. Eles davam suas próprias respostas, várias delas nada livrescas. Fico feliz com isso. A turma que não rendera nada na aula passada hoje rendeu consideravelmente. O Cristiano Ronaldo (eu o chamo de Cris) parecia bem mais calmo e cooperativo.
Na quinta há prova de inglês -- é a prova do calendário escolar que a professora-regente tem de cumprir, não ousa não fazê-lo e eu penso que seria um atrevimento questionar a necessidade de cumpri-lo. Interesso-me pela aprendizagem e pelo envolvimento dos alunos. Hoje, enquanto passávamos aquela lista de verbos, alguns alunos liam com desdém, com deboche. Outros liam bem. Eu insisti na boa pronúncia por parte deles e eles viam que eu olhava para eles enquanto pronunciávemos a lista em voz alta. Parece que o olho-no-olho com cada aluno faz com que ele perceba que me importo com a aprendizagem deles, de cada um. Por isso, a tendência foi a de capricharem mais e mais a cada verbo pronunciado... Parece uma tolice, mas é língua inglesa tomando espaços da sala de aula.
Quando respondiam às perguntas, geralmente utilizavam o tempo verbal incorreto para expressar o passado. Assim, a lista dos verbos ajudou muito, foi didática, porque eu mostrava toda vez de onde vinha a forma verbal para expressar o passado.
Disse aos alunos que eles podem usar a lista no dia da prova, pois o que importa não é a decoreba imediata. É preciso que saibam como a língua funciona, que tenham esse domínio de conhecimento, e que usem a língua. Penso que estou e estamos lá para ajudar os alunos a se expressarem em inglês e não para cobrar um conhecimento que até hoje não foi exigido em situações de uso da linguagem. Dar nota é de menor importância, assim como fazer prova. Avaliamos nossas ações, nossos frangos, bolas-na-trave e gols no dia-a-dia.
Preciso começar a preparar a prova dos alunos para quinta. bjs.
Um desafio inconstante....
Faço juz às palavras da professora Simone Reis, minha orientadora, a qual me fez compreender que para se ministrar uma aula, além de todo o conhecimento lingüístico, faz-se necessário ter MUITO jogo de cintura. Tenho percebido que a cada aula surge uma nova questão, um novo desafio e que nem sempre o que planejamos é devidamente concretizado. Portanto, o docente deve sempre estar apto a lidar com imprevistos. Esta experiência esta sendo de grande proveito para mim, já que estou podendo acompanhar o progresso de uma turma, ainda pequeno, porém extremamente significativo. Agradeço às professoras Elaine, que me deu a oportunidade de poder participar deste projeto, Simone, sempre muito atenciosa e prestativa, e Alice, muito amável e compreensiva. Obrigada!
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Um tempo para escrever
Tenho menos de uma hora para escrever. Daqui a pouco estarei na UEL para um encontro com o grupo de estudos do Sem Fronteiras. O tempo passa depressa demais. Já estamos quase no final do ano.
De agosto para cá tenho trabalhado com Marta, aluna do projeto, e com uma professora de um grande colégio da rede pública. O resumo de nosso trabalho e de minha aprendizagem é o seguinte:
- Temos estado todas as terças e quintas no colégio. Começamos assistindo aulas e a professora gradualmente passou a solicitar a minha participação. Embarcando no trem em movimento, eu me vi questionando que aula eu ajudava a concretizar, quando um texto já havia sido todo traduzido em casa pelos alunos?
- Faltei dia apenas e tanto a Marta quanto a professora deram pela minha falta.
- Observamos dificuldades dos alunos para fazer um exercício de ordenar frases. Os alunos não faziam o exercício ou exercício algum. Fiz uma adaptação ao exercício durante a aula com poucos alunos. Deu certo, mas não atingi a todos. Pedi ajuda à Marta, que ajudou. O tempo foi pouco e os alunos eram muitos.
- Marta preparou os exercícios de ordenação de frase, então, de modo que os alunos pudessem fazer suas tentativas em menos tempo. Isso levou-lhe um trabalho enorme. Eu ajudei com a formatação dos arquivos e com o fornecimento de material (impressão e papel-cartão colorido). O material foi entregue à professora-regente, que não o utilizou).
-Na semana terça passada a professora pediu para eu fazer um exercício com os alunos. Era em inglês e requeria compreensão literal do texto. Ela disse que nunca o fazia porque os alunos não têm língua suficiente. Para surpresa de todos, alguns alunos haviam feito corretamente o exercício e responderam em inglês. Para saber se haviam entendido o exercício (porque haviam dado a resposta em inglês), eu fiz perguntas paralelas em inglês, explorando a mesma estrutura e apostando no conhecimento prévio de vocabulário dos alunos, estes todos ligados a fatos de conhecimento de sua faixa etária. Finalizei com perguntas escritas sobre algo da vida dos alunos. Eram quatro perguntas, contextualizadas. Eles responderam com conteúdo, com que eu vibrei. Havia problemas de domínio da língua para expressar que as ações aconteceram no passado. Então eu expliquei isso rapidamente. A professora-regente disse que ela costumeiramente iria traduzir tudo, passar tudo para os alunos, motivo pelo qual ela pulava o exercício. Perguntei à Marta se havia aprendido algo naquela aula, e ela disse que aprendera e gostara muito, porque não pensava que fosse possível dar uma aula de inglês em inglês.
As aulas da quinta foram outra lição, mas de outro tipo. Enquanto em uma turma tudo correu bem e todos estavam engajados e participativos, a outra aula foi quase um total fracasso. Eu pensava que pedindo para copiar do quadro aquilo que a turma anterior havia trabalhado estaria poupando uns dez minutos da aula. Nada disso. Mal copiavam e então eu não podia dar início à aula. Pensei se apagava tudo e começava de novo, mas isso banalizaria quem já estava copiando...
Um aluno questionava por que não cobrávamos pela cópia e trazíamos tudo pronto. Marta e eu havíamos preparado o material da aula para usar na tv pendrive. A professora-regente não salvou os arquivos no pendrive e o meu não abria. Diante do imprevisto, adaptamos a aula no muque e isso funcionou com uma turma. Aprendi que é preciso termos mais de uma turma para termos parâmetros e para não desistirmos à primeira tentativa frustrada.
No meio da aula da segunda turma, havia um garoto que não deixava o outro em paz. Tentei falar com ele e ele se comportava cada vez mais pior. Até que vi naquele rosto semelhança com o craque Cristiano Ronaldo. Falei com ele: Por que um rapaz tão bonito quanto o Cristiano Ronaldo não participa/se interessa pela aula. Enquanto alguns deram suas risadinhas, ele próprio bem que gostou da comparação. Incrivelmente, passou a copiar o conteúdo do quadro.
Era uma lista de verbos.
O propósito era trabalhar a pronúncia, demonstrar as formas que os verbos assumem em diferentes tempos, e seu significado, para, então, passarmos a exercícios para expressão e compreensão de ações da vida pessoal dos alunos, que aconteceram nos últimos tempos e no final de semana.
Hoje, segunda-feira, Marta, a professora-regente e eu nos encontramos no colégio no horário de preparação de aulas da professora. Decidimos sobre o que faremos amanhã e o que prepararemos para a prova, que será na quinta. Juntas, escrevemos os exemplos que serão utilizados nas atividades. Dei carona pra Marta, que já tá com bolhas no pé de tanto andar, pois vem a pé de casa até o colégio. Eu vim pra casa digitar tudo e enviei para as duas... Fiquei de providenciar parte do material para amanhã pela UEL...
Está corrido demais e eu tenho me achado freqüentemente sem energia para dar conta de todas as minhas atividades fora do projeto. Adoro o que estou fazendo, mas me sinto dividida e cansada com as minhas outras tarefas.
Marta expressou o mesmo hoje. Ela não conseguiu ainda ler os textos que todos do projeto deveriam ler...
Nosso trabalho no colégio mostra que estar lá uma vez por semana não é suficiente. Nem a professora quer isso. Ela nos quer lá todas as terças e quintas, para termos continuidade no trabalho.
Penso que mudança, se alguma, decorre de lonnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnngo tempo de colaboração, sem interrupções no fluxo de trabalho.
De agosto para cá tenho trabalhado com Marta, aluna do projeto, e com uma professora de um grande colégio da rede pública. O resumo de nosso trabalho e de minha aprendizagem é o seguinte:
- Temos estado todas as terças e quintas no colégio. Começamos assistindo aulas e a professora gradualmente passou a solicitar a minha participação. Embarcando no trem em movimento, eu me vi questionando que aula eu ajudava a concretizar, quando um texto já havia sido todo traduzido em casa pelos alunos?
- Faltei dia apenas e tanto a Marta quanto a professora deram pela minha falta.
- Observamos dificuldades dos alunos para fazer um exercício de ordenar frases. Os alunos não faziam o exercício ou exercício algum. Fiz uma adaptação ao exercício durante a aula com poucos alunos. Deu certo, mas não atingi a todos. Pedi ajuda à Marta, que ajudou. O tempo foi pouco e os alunos eram muitos.
- Marta preparou os exercícios de ordenação de frase, então, de modo que os alunos pudessem fazer suas tentativas em menos tempo. Isso levou-lhe um trabalho enorme. Eu ajudei com a formatação dos arquivos e com o fornecimento de material (impressão e papel-cartão colorido). O material foi entregue à professora-regente, que não o utilizou).
-Na semana terça passada a professora pediu para eu fazer um exercício com os alunos. Era em inglês e requeria compreensão literal do texto. Ela disse que nunca o fazia porque os alunos não têm língua suficiente. Para surpresa de todos, alguns alunos haviam feito corretamente o exercício e responderam em inglês. Para saber se haviam entendido o exercício (porque haviam dado a resposta em inglês), eu fiz perguntas paralelas em inglês, explorando a mesma estrutura e apostando no conhecimento prévio de vocabulário dos alunos, estes todos ligados a fatos de conhecimento de sua faixa etária. Finalizei com perguntas escritas sobre algo da vida dos alunos. Eram quatro perguntas, contextualizadas. Eles responderam com conteúdo, com que eu vibrei. Havia problemas de domínio da língua para expressar que as ações aconteceram no passado. Então eu expliquei isso rapidamente. A professora-regente disse que ela costumeiramente iria traduzir tudo, passar tudo para os alunos, motivo pelo qual ela pulava o exercício. Perguntei à Marta se havia aprendido algo naquela aula, e ela disse que aprendera e gostara muito, porque não pensava que fosse possível dar uma aula de inglês em inglês.
As aulas da quinta foram outra lição, mas de outro tipo. Enquanto em uma turma tudo correu bem e todos estavam engajados e participativos, a outra aula foi quase um total fracasso. Eu pensava que pedindo para copiar do quadro aquilo que a turma anterior havia trabalhado estaria poupando uns dez minutos da aula. Nada disso. Mal copiavam e então eu não podia dar início à aula. Pensei se apagava tudo e começava de novo, mas isso banalizaria quem já estava copiando...
Um aluno questionava por que não cobrávamos pela cópia e trazíamos tudo pronto. Marta e eu havíamos preparado o material da aula para usar na tv pendrive. A professora-regente não salvou os arquivos no pendrive e o meu não abria. Diante do imprevisto, adaptamos a aula no muque e isso funcionou com uma turma. Aprendi que é preciso termos mais de uma turma para termos parâmetros e para não desistirmos à primeira tentativa frustrada.
No meio da aula da segunda turma, havia um garoto que não deixava o outro em paz. Tentei falar com ele e ele se comportava cada vez mais pior. Até que vi naquele rosto semelhança com o craque Cristiano Ronaldo. Falei com ele: Por que um rapaz tão bonito quanto o Cristiano Ronaldo não participa/se interessa pela aula. Enquanto alguns deram suas risadinhas, ele próprio bem que gostou da comparação. Incrivelmente, passou a copiar o conteúdo do quadro.
Era uma lista de verbos.
O propósito era trabalhar a pronúncia, demonstrar as formas que os verbos assumem em diferentes tempos, e seu significado, para, então, passarmos a exercícios para expressão e compreensão de ações da vida pessoal dos alunos, que aconteceram nos últimos tempos e no final de semana.
Hoje, segunda-feira, Marta, a professora-regente e eu nos encontramos no colégio no horário de preparação de aulas da professora. Decidimos sobre o que faremos amanhã e o que prepararemos para a prova, que será na quinta. Juntas, escrevemos os exemplos que serão utilizados nas atividades. Dei carona pra Marta, que já tá com bolhas no pé de tanto andar, pois vem a pé de casa até o colégio. Eu vim pra casa digitar tudo e enviei para as duas... Fiquei de providenciar parte do material para amanhã pela UEL...
Está corrido demais e eu tenho me achado freqüentemente sem energia para dar conta de todas as minhas atividades fora do projeto. Adoro o que estou fazendo, mas me sinto dividida e cansada com as minhas outras tarefas.
Marta expressou o mesmo hoje. Ela não conseguiu ainda ler os textos que todos do projeto deveriam ler...
Nosso trabalho no colégio mostra que estar lá uma vez por semana não é suficiente. Nem a professora quer isso. Ela nos quer lá todas as terças e quintas, para termos continuidade no trabalho.
Penso que mudança, se alguma, decorre de lonnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnngo tempo de colaboração, sem interrupções no fluxo de trabalho.
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