sábado, 13 de novembro de 2010

Os fins justificam os meios?

Ontem voltei à escola onde estudei, pois meu primo foi colocado para fora da sala e da qual não entraria sem a presença de algum pai. Fui então lá pra rever as pessoas, mas o exercício foi bem melhor. Afinal, depois da metade do curso de Letras, quem estava visitando a escola era outro e não mais aquele que saiu há dois anos. Pude refletir o que vivenciei de um modo bem mais crítico.
O que aconteceu
Meu primo desceu para tomar água e ir ao banheiro durante a troca de aulas. Ele não pediu permissão e permaneceu fora por 13 minutos (sim, parece que foi contado). Ao retornar, a professora não deixou ele entrar. A orientadora, a mesma que convivi os restos do meu Ensino Médio, o recolheu e chamou os pais. Ela também se queixa do comportamento dele: ele afirma que "conhece gente da favela" (o que é mentira) como modo de intimidar as pessoas utilizando também um vocabulário desse tipo de grupo. O que se decorreu disso foi, para mim, deveras impressionante: um discurso sobre papel da escola. A escola que forma para a sociedade e que esta é reproduzida dentro da escola. A escola que cobra deveres e dá direitos. A escola que pretender dar autonomia ao aluno. Enfim, papéis que eu não imaginava que essa escola pudesse reproduzir.
Tudo isso foi dito e, com muito medo, acho que os alunos não entenderam. Meu primo também criou um diálogo do qual me intrigou (e que me fez sorrir no canto da boca): Ao começar o discurso, tudo que a orientadora apresentava, ele retrucava (talvez não tão educadamente); a mãe dele então disse 'pare de questionar' e ele respondeu 'eu questiono mesmo', eu acho errado e a orientadora respondeu que essa atitude de questionar tudo que lhe era posto era muito freqüente. Senti aí a voz do aluno que quer debater sobre o espaço da escola. E que é calada sumariamente porque questionar é gerar mudanças. É que então, percebi do que tanto me incomodava no discurso dessa escola: A autoridade irrevogável do professor/orientador. O professor manda. É impor a sua autoridade com o medo, a conseqüência, e por que não, a violência.
Eu tenho consciência da situação horripilante da eduação atualmente. Mas será que esses métodos enérgicos são a solução? Não sei se mostrar que intimida, que 'é o bam bam' pode ajudar. Aliás, acho que resolve. Mas aí estamos ensinando os alunos a ter pensamento crítico e reflexivo quando dizemos que eu-mando-você-obedece-porque-é-assim? Sei que dá alguns resultados, mas é preciso refletir. É aqui que vos pergunto: os fins justificam os meios?