quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O Ensino Médio Noturno: Um Novo Olhar

Pra quem teve a oportunidade de acompanhar o que anda acontecendo com o Ensino Médio Noturno, soube da proposta de 'reformulação' do mesmo...
Em sumo, funcionou com a participação de professores, pedagogos, e qualquer pessoa que tivesse ligação com o EM, inclusive representantes de cada turma, algo que considero inédito.
E eu me indiquei (porque ninguém se interessou, a não ser pelo fato que não teria aula hoje) esperando que contribuições esses representantes poderiam levar para essa 'mesa redonda', onde estaria se discutindo o futuro do ensino médio do ano seguinte. A principal proposta dessa iniciativa da SEED, organizada em todas as escolas que dispunham de aula a noite, é combater os índices altíssimos de evasão escolar e de desinteresse por parte dos alunos.

Bom, primeiro recebemos dois textos juntos para refletir em questões que estavam juntas. O texto, montado pelo Departamento de Educação Básica, trazia muitas reflexões baseadas em teóricos como Saviani, Kuenzer, Arroyo e Gramsci fazendo uma linha histórica da escola no período noturno... Gostaria de comentá-las em algum momento.

No começo da mesa redonda, curiosamente, os alunos de disporam no lado esquerdo da sala e os professores e direção no centro e na direita... Tivemos também a presença de um aluno da graduação do curso de Ciências Sociais. A primeiro momento, fizemos a leitura do texto, pensando eu no quão rebuscado estaria para os outros alunos presentes. Encerrada a leitura, os professores começaram a discutir sobre os problemas... Não me sentia com vontade de falar.

Dando uma geral do que foi essa reunião; achei que a presença do futuro-sociólogo foi de extrema importância e infelizmente não devidamente aproveitada, pois ele tinha uma bagagem teórica, inclusive na área de ensino, muito boa. Eu tentei divagar pelos 'campos sociológicos', na proposta de lutar contra os valores de escola, de professor, de ensino-aprendizagem, que os alunos têm. Ainda que pareça utópico, não consigo ver outra solução: incentivos também, na sua grande parte, não estão dando conta do nosso perfil de novo aluno.
No que só ficou decidido, eu classifico como incentivos... será que realmente vamos ter um progresso? Quais são as reais necessidades de um aluno do noturno? Claro que essas decisões foram basicamente sistematizadas pelos outros alunos... Mudanças como aulas germinadas, merenda no intervalo, atraso do horário de entrada...
Os professores tanto reclamaram da postura dos alunos, mas não ouvi nenhuma sugestão de como trabalhar com o senso crítico dos alunos.
Como tirar o aluno do papel passivo? Como transformá-lo em um agente transformar da realidade? Como fazê-lo compreender isso?
Eu digo, com certeza, que muita audácia e dedicação terão que ser empenhados nesse processo de des-alienação dos alunos. Fácil assim, não será.